Ciclo de Poesia Falada - Poema de Arquimedes da Silva Machado

O amor é uma dor sem cura, como enxurrada que leva tudo

E não nos sobra nada, absurdo, apesar da vida intacta

Sequela abstrata e real, uma ferida na história

Parece vitória mesmo fatal, página que a gente desmarca

Vez ou outra dá uma folheada e dorme de tanto chorar

O tempo seca a lágrima, borra a letra e confunde a frase

A gente pensa, repensa e quase, cria desculpas para perdoar

Perdoa e outra vez magoa e desiste de vez, era uma vez

Era pra sempre e faz um mês, já tem tanto tempo e dói hoje

O passado tão presente e o futuro tão distante

Diálogos férteis, boicotados, os perfis sendo analisados

O medo é o alarme sonoro, eles querem sexo, quero colo

Quero filosofar sobre pets, dividir o lanche e o chiclete

Massagem nos pés e filme, torcer para o mesmo time

Curtir um carinho ousado, deixar o peito explodir APAIXONADO

Deixar fotografar a lingerie, rir de cada um comentário

Sou assim desde sempre...

Reconstruindo devagar e constantemente, sente?

Se sentir, faz sentido, eu quero um sim

Sussurrado no meu ouvido, desabrochar naturalmente

Com a leveza sutil da flor, geminar como semente

Sentir e curar da dor do amor, como todo mundo sente.

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